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O jornalismo é representativo?

Há poucos dados para ter um panorama geral da representatividade nas redações do Brasil. É perceptível olhando em volta nas redações, nas fotos e imagens publicadas na maior parte dos veículos da imprensa: é um meio majoritariamente branco, masculino e rico na chefia, na visão e na representação que faz da realidade e do leitor.

Mas precisamos de dados. E aqui compilamos alguns que levantamos e outros que pesquisamos.

Pesquisa Raça nas Redações

O salário é desigual entre brancos e negros: a maioria dos jornalistas negros ganha até 3 salários mínimos e a dos brancos, justamente acima de 3 salários. E cerca de 30% dos profissionais negros que responderam a pesquisa Raça nas Redações são freelancers, ou seja, não atuam de forma fixa nas redações. Foram 234 respondentes entre 19 e 60 anos, de 11 estados brasileiros (quase metade são de SP).

 

 

Mapeamos que menos de 30% das redações – dum universo de 64 veículos – têm políticas voltadas para representatividade racial, tendo poucos jornalistas negros – mais da metade tem menos de 3 na equipe. 

 

 

Análise da cobertura jornalística

Homens brancos são maioria na Folha de S. Paulo, segundo uma análise feita pela Énois durante duas semanas na edição impressa, em outubro de 2019. Brancos são mais de 90% dos que assinam produções do jornal, fontes e entrevistados e 3 a cada 4 quatro retratados nas imagens. São homens mais de 60% dos que assinam produções do jornal e cerca de 75% das fontes, imagens e entrevistados.

Perfil dos jornalistas
Mulheres são maioria nas redações, mas não entre os altos cargos (35% ganham mais de cinco salários mínimos).  

O percentual de negros entre os jornalistas é inferior à metade da presença de pretos e pardos no Brasil, Pesquisa Perfil dos Jornalistas

Mulheres no jornalismo

Mais de 70% das jornalistas já escutaram comentários ou piadas de natureza sexual sobre mulheres no seu ambiente de trabalho, mais de 65% tiveram a competência questionada ou viram colegas tendo e 46% apontaram que as empresas onde trabalham não possuem canais para receber denúncias de assédio e discriminação de gênero, aponta uma pesquisa feita em 2017 por Gênero e Número e Abraji, com 477 respondentes de 271 veículos diferentes.

Formação desigual

A presença de negros no ensino superior tem tido alguns avanços recentes, mas nos melhores cursos do país o retrato racial é de uma desigualdade mais acentuada. A carreira com menor inclusão racial é a de comunicação, com apenas 4% de negros matriculados nos melhores cursos, segundo Dados do Censo da Educação Superior, de 2016, do Ministério da Educação, tabulados pela Folha.