Como usar expressões culturais para falar sobre política

Tempo de leitura: 3 minutos

Objetivos

. Criar produtos jornalísticos a partir da cultura construída e consumida em um território

. Disseminar conhecimento sobre política a partir de conteúdos jornalísticos

. Encontrar formatos de distribuição jornalística que estejam conectados às dinâmicas de uma localidade

Referência

Em 2020, a Marco Zero Conteúdo lançou um edital de reportagens sobre narrativas das periferias urbanas e rurais de Pernambuco. A ideia era que os selecionados produzissem reportagens multimídia sobre aspectos da vida dos territórios onde vivem e os direitos essenciais dessas comunidades. A partir deste edital, o coletivo Fruto de Favela, da cidade Paulista, Região Metropolitana do Recife, criou um “brega protesto” para falar sobre a apropriação do ritmo bregafunk por políticos para conquistar votos nas zonas periféricas da cidade. O material gerou uma música, um videoclipe e uma reportagem, publicada na Marco Zero Conteúdo. “A gente já tinha essa ferramenta do brega protesto, então decidimos juntar ela com o jornalismo, para que as pessoas da comunidade tivessem cada vez mais uma educação política”, explicou um dos criadores, o comunicador Daniel Paixão.

Resultados

. Ampliação do debate sobre a apropriação cultural pela política na comunidade

. Alcance de diferentes públicos na comunidade

. Influência na forma como parte dos moradores interagiu com o processo eleitoral

. Distribuição de um conteúdo em três formatos distintos

Como medir

. A partir do feedback direto das pessoas

. Por meio da quantidade de visualizações dos vídeos e reprodução da música

. Análise qualitativa do impacto da reportagem na forma como as pessoas vêem a política local

Passo a passo

Olhar para o território. O primeiro passo para criar um conteúdo que incida na forma como as pessoas atuam e enxergam a política localmente é olhar para o território. Entender como são as interações entre os políticos e a comunidade, além de quais as necessidades e anseios das pessoas. Da mesma forma, é preciso perceber quais os mecanismos de comunicação usados pelos políticos para se conectar com essa comunidade.

A cultura local. Também significa identificar quais as formas de comunicação que já existem ali, como as pessoas consomem e distribuem informação. A partir disso, pensar em como usar esses espaços para criar seu conteúdo. No caso do Fruto de Favela, o bregafunk já era um ritmo ouvido e criado dentro da comunidade, e o coletivo usou desse instrumento para se conectar com a audiência. Para eles, o produto jornalístico também pode ser uma expressão cultural e territorial. 

Outros exemplos:

O Delazine: um zine feito para mobilizar meninas adolescentes do município de Pirenópolis, em Goiás; 

O carro de som da Agência Mural e da Énois: Durante os sete dias que antecederam as eleições municipais em São Paulo, um carro de som circulou tocando o conteúdo produzido nas regiões de Brasilândia, Jova Rural, Perus, Guaianazes, Cidade Tiradentes, Paraisópolis e Grajaú que, juntos, têm 396.3784 habitantes. Esse conteúdo também foi distribuído via áudio de Whatsapp, vídeo de repercussão no Instagram, com os

bastidores da ação, e em reportagens no site da Agência Mural.

Caminho inverso. Já imaginou fazer um conteúdo em outro formato e, só depois, fazer uma reportagem atrelada a ele? Pois é, o Fruto de Favela optou por esse caminho, por dois motivos: primeiro causar impacto na comunidade, depois interpretar a reação das pessoas, para em seguida usar esse impacto e transformar em pauta de uma reportagem. Primeiro, eles criaram a música, depois distribuíram a música em alto-falantes, duas semanas depois produziram o videoclipe, só depois fizeram uma reportagem em vídeo sobre o processo.

Apuração. Depois dessa observação local e de pensar nos formatos dos conteúdos que você quer produzir, é preciso apurar as informações em campo. Entreviste pessoas que serão também o público consumidor daqueles conteúdos, entenda como estão pensando a política localmente e como você poderia apresentar o problema a elas. As conversas também podem dar dimensão real da questão que você pretende abordar.

Pessoas e equipamentos. Para fazer uma música, por exemplo, você precisará reunir pessoas com essa habilidade. Pense quem na sua equipe poderia dar suporte a isso,  busque músicos e compositores do território onde o conteúdo irá circular e reúna o grupo para a construção conjunta. Assim, você amplia as chances de impactar o território com o seu conteúdo.

Distribuição. Faça parceria com rádios comunitárias e comércios locais para disseminar a música ou áudio nos alto falantes existentes na comunidade. Você também pode usar grupos de moradores, nos aplicativos de mensagem, para transmitir os áudios. Outro caminho é divulgar nas redes sociais dos coletivos locais e de um parceiro de mídia da cidade ou criar vídeos dos bastidores da reportagem para disseminar como instrumento de educação midiática na comunidade. 

Acompanhamento de impacto. Colete impressões dos moradores sobre o seu produto, em que contexto eles tiveram acesso e como reagiram às informações divulgadas, para saber se aquele conteúdo impactou a forma como as pessoas se manifestaram politicamente, por exemplo, em um processo eleitoral.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Skip to content