Como pautar histórias e narrativas das periferias e zonas rurais

Tempo de leitura: 3 minutos
Objetivos

. Ampliar a cobertura jornalística sobre temas pertinente às periferias rurais e zonas do interior

. Institucionalizar na cultura do coletivo o olhar para as periferias rurais

. Ampliar a contratação de jornalistas baseados nas periferias rurais

Referência

A Marco Zero Conteúdo é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, baseada no Recife, em Pernambuco. Com o objetivo de qualificar o debate público e promover o jornalismo investigativo e independente, a Marco Zero aposta na produção de reportagens e conteúdos que exponham as relações de poder, com destaque para pautas invisibilizadas pela mídia tradicional.

O coletivo montou uma metodologia para começar a expandir a atuação e cobertura para além da capital pernambucana, que começou com o envio de repórteres para cobrir outras zonas do estado, mas foi institucionalizada até o processo de contratação. Dessa forma, tem promovido a cobertura das histórias e narrativas das periferias rurais, a partir e pelo olhar de quem mora nesses territórios 

Resultados

. Estruturação de uma política de produção de pautas sobre as periferias rurais

. Parcerias com centros de pesquisa e produção de jornalismo do interior do estado

. Contratação de estagiários moradores das periferias rurais

. Ampliação da cobertura sobre temas que antes não eram pautados no coletivo

Como medir

. Analisar perfil das produções periodicamente

. Observar o perfil da audiência que busca notícias relacionadas às periferias rurais

. Acompanhamento de carreira dos jornalistas contratados

Passo a passo

Perfil da sua redação. Analise quem compõe a sua redação, são todos moradores das capitais? Como essas pessoas têm acesso ao que ocorre nas periferias rurais? Um primeiro passo é fazer essa avaliação do perfil de contratados da sua redação, bem como das reportagens produzidas: elas contemplam as periferias rurais?

Ir até as periferias rurais. Essa é a forma mais tradicional de iniciar essa aproximação. Você pode começar estimulando para a sua equipe a pautar reportagens que possam ser realizadas nas periferias rurais. Dessa forma, as pessoas poderão ir até os locais e conhecer de perto a realidade, iniciar um diálogo com as lideranças locais, estabelecer laços com fontes para outras pautas. 

Parcerias. Caso você não tenha financiamento para pautar as viagens até as periferias rurais, pode estabelecer parcerias com outros veículos de comunicação, para dividir os custos da produção da reportagem e também a publicação dela. A Marco Zero, por exemplo, já realizou parcerias com o De Olho nos Ruralistas, onde um dos veículos custeou a mão de obra e o outro o deslocamento e hospedagem. 

Edição combinada. Outra forma de estabelecer parceria e conseguir viabilizar o deslocamento, é dividir os custos e a edição do material, para que cada veículo possa adequar o conteúdo à sua linha editorial. 

Parcerias frequentes com coletivos locais. Outra maneira de estabelecer parcerias, desta vez mais frequentes, é buscar coletivos de jornalismo nas periferias rurais, graduações de jornalismo de centros do interior e propor a união para publicação de conteúdos. A Marco Zero tem uma parceria com o Observatório da Vida Agreste (OVA), mantido pelo Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em Caruaru. Dessa forma, publica conteúdos produzidos em um projeto de extensão do curso de jornalismo. O processo de edição, neste caso, também é duplo, entre os jornalistas do coletivo e professores da graduação. Essa abordagem também permite trazer para o veículo o olhar de quem vive e está mais próximo das periferias rurais.

Entidades do campo. Crie projetos com entidades, organizações não governamentais e lideranças locais que atuam nas periferias rurais. Vocês podem compartilhar desde a captação de recursos até a execução do projeto. 

Editais. Criar editais com apoio de fundações e selecionar produções de reportagem e conteúdo de jornalistas que vivem nesses territórios é outra forma de estimular a produção. O edital Território Vivo, produzido pela Marco Zero com o apoio da Repórteres Sem Fronteiras, por exemplo, selecionou a Crioulas Vídeo, do Quilombo de Conceição das Crioulas, no Sertão Central de Pernambuco, a 540 quilômetros do Recife, para produzir um vídeo relatando a luta de décadas da comunidade para garantir o acesso asfaltado ao quilombo. 

Rodas de conversa. Os coletivos selecionados também podem participar de uma roda de conversa para trocar experiências e debater o direito à liberdade de expressão a partir das periferias. A iniciativa da Marco Zero, por exemplo, abriu um canal de diálogo entre os demais coletivos selecionados no edital, gerando uma integração entre o urbano e o rural.

Contratação. Ao passo que os laços vão se fortalecendo, o próximo passo é instituir uma política de contratação de jornalistas e estagiários baseados nas periferias rurais. Insira dentro dos editais a possibilidade de contratar pessoas, moradoras dessas localidades, que possam trabalhar remotamente e cobrir in loco as pautas. Também crie uma política de acolhimento para que a pessoa não se sinta excluída, uma dinâmica de trabalho que considere a diversidade trazida por esses integrantes para os demais membros da equipe. 

Transversalidade. A política precisa ser transversal, isto é, estar em todas as dinâmicas estabelecidas dentro do veículo de comunicação. Dessa forma, todos os produtos que saem do coletivo terão o olhar, as necessidades e as dinâmicas das periferias rurais contempladas em todas as etapas.

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