Como falar sobre vacina para o seu público

Tempo de leitura: 4 minutos

Objetivo

  • Produzir conteúdo seguro e confiável sobre vacinação e pandemia nos territórios 
  • Esclarecer as dúvidas da população sobre a vacina e a vacinação
  • Como falar sobre vacina, combater e mitigar o impacto da desinformação
  • Transformar-se em referência e fonte de informação local sobre o tema

Referência

A Redes da Maré, instituição da sociedade civil dedicada à promoção e ao desenvolvimento das favelas da Maré, no Rio de Janeiro, criou o podcast Maré em Tempos do Coronavírus para aproximar o conteúdo sobre pandemia dos moradores do Complexo. Além de compartilhar os áudios por streaming, o material é distribuído por WhatsApp, para driblar a baixa qualidade de acesso à internet no território. Para montar os episódios, a iniciativa tem um processo de escuta ativa pelo qual colhe dúvidas e temas de interesse da população. O conteúdo também é distribuído offline, por meio de caixas de som nos estabelecimentos locais.

Já o Sul21, veículo de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, mapeia pautas distintas daquelas produzidas nos meios hegemônicos locais e encontrou nas redes sociais um formato de distribuição que gera engajamento. A equipe criou cinco grupos de WhatsApp, um deles só sobre coronavírus, onde distribui as pautas produzidas e gera conversas sobre o tema. Também colocaram uma pessoa dedicada às redes sociais, para receber dúvidas sobre vacina e outros assuntos, e apostaram no posicionamento e na produção de lives com especialistas.   

A experiência de redações estadunidenses, como mostrou a Columbia Journalism Review, também traz ensinamentos sobre como comunicar para reduzir a hesitação vacinal, ou seja, dúvidas e receio em aceitar a vacinação. 

Resultados

  • Tornar-se referência local para o tema
  • Transformar-se em fonte de consulta para esclarecimento de boatos
  • Aumento de participantes nos canais de comunicação
  • Aquisição de novas assinaturas
  • Ampliação da audiência com o alcance de novos perfis de pessoas

Como Medir

> Número de dúvidas sobre vacinas enviadas pela comunidade

> Acompanhar crescimento de interações orgânicas sobre o tema nas redes sociais

> Quantificar engajamento em grupos de aplicativos de mensagens

> Mensurar referências ao veículo quando a conversa é sobre vacina

>Pesquisa de impacto na redução da hesitação vacinal entre a audiência

Passo a passo

Crie processos de escuta ativa para coletar dúvidas e sugestões da comunidade. Nem todo mundo é antivacina. As pessoas estão com muitas dúvidas sobre a vacina e é natural que algumas delas desenvolvam a chamada “hesitação vacinal”, o receio na imunização. É importante escutá-las, acolher suas questões e buscar respostas esclarecedoras. Estar nas redes sociais, destacando um profissional para isso, e em grupos de mensagens da comunidade, inclusive sobre outros temas, pode ajudar.

Antecipe-se à desinformação. Não há dados públicos suficientes e completos sobre a vacinação, o que amplia e favorece o surgimento de boatos e ruídos de comunicação. Publicar reportagens e materiais explicativos sobre segurança da vacinação, como funciona a criação de uma vacina e quais os efeitos dela a médio e longo prazo, com antecedência, evita que o jornalismo atue somente quando a narrativa falsa já está disseminada.  

Diversifique as fontes. É importante ouvir especialistas sobre o tema, para gerar confiança nas informações repassadas, mas é fundamental também mesclar o conteúdo com a voz da própria audiência. Isso aproxima a linguagem técnica e a identificação do público com o conteúdo. Buscar especialistas e pessoas com informações técnicas ligadas ao território e próximas ao público traz ainda mais confiança.

Faça um rastreamento de dados. Na pandemia, os números são atualizados todos os dias. Criar um banco de fontes com dados abertos sobre vacina facilitará a consulta e produção de conteúdos sempre atualizados, além de evitar apagão de informações.

Preocupe-se com a distribuição. A mensagem precisa chegar a todos, então é preciso considerar quais as formas de comunicação disponíveis no território, inclusive as offlines. Isso inclui desde redes sociais a caixas de som dos estabelecimentos comerciais. 

Preste um serviço à audiência. Há muita informação desencontrada, além de muitas indisponíveis ou incompletas. Você pode atuar como filtro, selecionando e distribuindo dados sobre onde se vacinar, os horários de funcionamento dos postos de saúde e qual o público-alvo da atual fase de vacinação.

Fale sobre o que ainda é desconhecido. Busque narrativas não pautadas pela mídia hegemônica local. Saber quais as principais dúvidas da audiência pode ajudar nesse processo de identificação das principais pautas locais que são necessárias, mas ainda não receberam cobertura.

Traduza, quando possível, termos técnicos. Nem todo mundo está acostumado com os jargões científicos. Para tornar a informação palatável e a comunicação mais fluida, busque traduzir os termos técnicos a uma linguagem acessível ao seu público. Por outro lado, nunca subestime a capacidade das pessoas de apreender informações complexas.

Contextualize as informações. Trazer dados soltos sobre quantidade de imunizados ou efeitos adversos da vacina, sem descrever o contexto (comparativo percentual, análise de situação política, econômica e social) em que eles estão inseridos, pode causar ainda mais desinformação. Busque sempre contextualizar as informações, se possível ouvindo especialistas no assunto.

Aproveite as lideranças e projetos locais. Colocar lideranças locais, como líderes comunitários, entidades sindicais e projetos sociais e culturais de referência, no fluxo de produção e distribuição fará com que seu conteúdo esteja mais alinhado às necessidades das pessoas, conectado afetivamente com as relações do público e consiga alcançar maior engajamento. 

Reforçe as outras medidas de cuidado sanitário. A vacina é uma das medidas de proteção contra um agente causador de doenças, mas há outros cuidados que devem ser tomados em paralelo. É preciso reforçar isso para não gerar uma falsa sensação de segurança nas pessoas. A comunicação sobre o tema precisa deixar um legado, pois também é educativa.


Posicionar-se sobre o tema. Frente à desinformação crescente, posicionar-se sobre a vacina de forma transparente, em editoriais e comunicados oficiais do veículo, ajuda o público a ter confiança no veículo. 

Links úteis

  1. Dicas para reportagens sobre hesitação vacinal – IJNet https://ijnet.org/pt-br/story/dicas-para-reportagens-sobre-hesita%C3%A7%C3%A3o-vacinal
  2. Como cobrir a hesitação vacinal – CJR https://www.cjr.org/opinion/op-ed-vaccine-hesitancy.php
  3. Informação e Desinformação sobre a Covid-19 no Brasil 

https://www.liverpool.ac.uk/media/livacuk/schoolofthearts/documents/communicationandmedia/Rossini_Kalogeropoulos_2021Report,insights-PTBR,(1).pdf

  1. Falta de transparência nos dados públicos sobre vacinação
  1. Manual Noticiando Vacinas – Bori

https://abori.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Manual_Noticiando_Vacinas.pdf

  1. Ferramentas contra a desinformação na cobertura das vacinas contra a COVID-19

https://premiorochedeperiodismo.com/pt-br/2021/03/ferramentas-contra-a-desinformacao-na-cobertura-das-vacinas-contra-a-covid-19/

  1. Kit de Ferramentas sobre vacinação National Association of Broadcasters (NAB)

https://www.nab.org/vaccine/

  1. Caixa de ferramentas da Society of Professional Journalists

https://www.journaliststoolbox.org/2021/03/12/covid-19-vaccines/

  1. U-Report Brasil – uma central de informações sobre as vacinas

contra a Covid-19

https://linktr.ee/ureportbr

10. Curso do Knight Center sobre a cobertura de vacinas

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