Como criar uma política de auxílio emergencial na redação

Objetivo

. Garantir segurança financeira para a equipe em momentos de crise social, econômica e sanitária

. Dar autonomia de cuidado para as pessoas na definição de como usar o auxílio, de acordo com suas prioridades 

. Estabelecer condições de amparo para as pessoas, considerando a diversidade de perfis e necessidades

Referência

Desde 2017, a Énois estuda como garantir a igualdade na remuneração da equipe, a partir da valorização salarial e observando os contextos individuais de cada pessoa. Em 2020, diante da pandemia, entendendo a vulnerabilidade social trazida pelo contexto, buscamos captar recursos para transformar em um fundo emergencial para a equipe. A partir disso, surgiu uma metodologia de organização e distribuição de auxílio emergencial pautada na diversidade.

Resultados

. Criação de um índice para calcular o percentual repassado a cada pessoa 

. Satisfação pessoal e profissional da equipe

. Aquisição de conhecimentos sobre prestação de contas

. Criação de um fundo de RH para distribuir recursos financeiros e materiais para a equipe auxílio emergencial 

. Aproximação entre a equipe financeira e a redação, por meio das formações e explicações do funcionamento do fundo e prestação de contas

Como medir

> Feedbacks informais da equipe

>Na avaliação semestral da equipe, incluir questionário sobre o quesito fundo de auxílio emergencial

>Analisar as planilhas de prestação de contas do auxílio emergencial

> Por meio das variações de humor da equipe nas reuniões e encontros 

Passo a passo

Diversidade como tema do financeiro. A diversidade deve pautar não só a produção de conteúdo, mas as estruturas da organização. Sendo assim, o financeiro deve considerar uma política de remuneração que seja transparente e dialogue com as necessidades de cada pessoa, considerando as semelhanças e diferenças sociais, econômicas e de gênero da equipe.

Exemplo: se alguém exerce a mesma função que outra pessoa, mas essa pessoa é mulher, negra, tem filhos, talvez ela mereça uma remuneração maior, porque a vida dela custa mais. E isso pode ser feito não a partir do salário fixo, mas dessa remuneração variável que um fundo de RH permite acontecer.

Converse com a equipe. Traga o tema de apoio financeiro para conversas com a equipe, ouça o que todos têm a dizer sobre necessidades financeiras e de equipamentos para trabalhar. Pergunte o que é importante para ela, o que ajuda todos a ficarem bem durante a crise. Isso te ajudará a desenhar uma proposta assertiva a ser financiada.

Estabeleça limites. É preciso estabelecer, com transparência, qual os limites da organização, até onde ela consegue ir institucionalmente nesse amparo. Isso é importante para não gerar expectativas e frustração.

Buscar financiamento. A captação de recursos deve ser feita para além da execução de projetos. Busque editais de parceiros, inclusive aqueles frequentes, que estejam abertos, sejam alinhados aos valores da organização e possam apoiar a criação do fundo de RH para a equipe. Um fundo, inclusive, que seja permanente e não apenas em tempos de crise. O cuidado custa e é essencial para o funcionamento saudável de uma redação.

Crie prioridades de gastos. A partir da escuta da equipe, crie um mapa de áreas com as quais o dinheiro distribuído poderá ser usado, como alimentação, auxílio psicológico, internet, educação, entre outros.

Índice de distribuição. É preciso elencar critérios para definir quanto cada pessoa irá receber. Isso deve ser feito com base na equidade, ou seja, mitigando as diferenças e equalizando as desigualdades. Exemplo: valor maior para quem recebe menos, considerar a quantidade de dependentes, etc.

Como calcular o valor que cada integrante da equipe receberá

  1. Calcular a média do valor total do auxílio (dividir o total captado pelo número de pessoas da equipe).
  2. Estabelecer pesos diferentes para cada faixa salarial (Exemplo: até 3 mil reais o peso é 5, entre 3 e 6 o peso é 4, etc.)
  3. Dividir a média pela quantidade de faixas.
  4. Multiplicar o valor obtido pelo peso para obter o total que cada pessoa irá receber.
  5. Determinar os tipos de gastos possíveis (psicológico, alimentação, estrutural, etc.) e combinar com equipe a prestação de contas desses gastos.

Negociar com patrocinador. O índice deve ser apresentado ao patrocinador, para permitir uma prestação de contas que contemple essa narrativa de equidade. É importante negociar, para evitar que o interesse do patrocinador se sobreponha às necessidades da equipe.

Alinhar a comprovação dos gastos. Cada pessoa deve escolher com qual ou quais eixos de prioridade quer gastar o dinheiro. De posse da verba, a pessoa deve assinar um recibo atestando como pretende gastar. Todo mês, notas referentes aos gastos deverão ser repassadas por cada um ao financeiro, para que a prestação de contas ocorra sem problemas futuros.

Eduque a equipe. Uma parte importante desse processo é usá-lo para formação da equipe. Promova um encontro sobre prestação de contas, finanças pessoais e outros temas que podem ajudar a equipe a usar e prestar contas do fundo.

Transforme a experiência em algo perene. A experiência do auxílio pode se desmembrar em um fundo de RH, como aconteceu na Énois. Para isso, a redação pode destinar um percentual fixo das captações de todas as propostas de trabalho e parcerias para esse fundo.

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